quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Casa dos Criadores recebe Londrinenses

Dia 25 de novembro a Casa dos Criadores de São Paulo receberá o desfile de Ronaldo Silvestre com elaboração das estampas de Debora Iasbek. A coleção deverá lembrar o misterio de Mata Hari.

Ronaldo Silvestre nasceu em Itabira (MG) é graduado em Desenho Industrial (Cefet) e em Estilismo em Moda (UEL). Destacou-se no cenário nacional no Concurso Arte Dzarm Revista Capricho, em 1994. Foi finalista no concurso promovido pelo Paraná Fashion 1998 e primeiro colocado na Fenit 2003 (SP) e no Rio Moda Hype – Novos Talentos 2000 Junto à marca Ex Madame, participou da Fenit (SP), em três edições do Curitiba Fashion Art, no Dragão Fashion (Fortaleza – CE) e no Estação Fashion Londrina.


Debora Iasbek nasceu em Londrina (PR) é graduada em Design de Moda pelo Centro universitario de Maringá com especialização em fashion drawing, experimental fashion drawing, fashion print design, knitwear for fashion, designing a commercial fashion collection, designing a fashion t-shirt, creating new concepts in fashion pela Central Saint Martins College of art & design (UK) Em 2001 foi 1º lugar no concurso Premio Fiep & Canatiba.




(casa dos criadores: www.casadoscriadores.com.br)

domingo, 1 de novembro de 2009

ONE MORE CUP OF COFFEE



Nova Campanha do café Lavazza - calendário 2010- com fotografia de Miles Aldridge, seguindo o tema na música italiana: The 2010 Italian Espresso Experience.



(link: http://www.lavazza.com/corporate/en/lavazzastyle/)

Cavaleiro Inexistente

Nenhuma voz lhe responde. A armadura não pára em pé, o elmo rola pelo chão. - cavaleiro, resistiu por tanto tempo só com sua força de vontade, conseguiu fazer sempre de tudo como se existisse: por que render-se de repente? – Mas já não sabe para que lado virar-se: a armadura está vazia, não vazia como antes, esvaziada também daquele algo que se chamava o cavaleiro Agilulfo e que agora se dissolveu como uma gota no mar. (CALVINO, p.479)

SuPeR-mErCaDo dE eStILo





A percepção de tempo e espaço foi acelerada com a passagem para o século XXI, o que o historiador Sevcenko elucidou com a trajetória percorrida pelo público de uma montanha-russa. Conforme o estudioso está se vivendo atualmente a sensação do loop, em que se perde a noção dos objetos aumentando as desigualdades à compreensão de si e do próximo.

Conforme Ted Polhemus, nunca houve maior liberdade em escolher a composição da imagem por meio do vestuário e adornos, não segue-se mais tribos ou o sistema da moda, pode se misturar pecas vários estilos estéticos, ideológicos, artísticos, com peças luxuosas ou populares, compondo visuais singulares, de diferentes épocas e valores econômicos e emocionais.

O consumidor constrói sua imagem com peças selecionadas como em um mercado, como exemplificou Polhemus ao denominar esse fenômeno por Supermercado de Estilo. Essa democratização da moda deve-se segundo o antropólogo a transformação sociocultural da segunda metade do século 20 na qual houve a passagem da concepção de Cultura como algo imanescente unicamente da classe mais alta para uma noção de cultura que hã liberdade de mesclar classe social.

Na busca de uma identidade o sujeito, posto em uma sociedade paradoxal, em que a espetacularização e a massificação provocam angustia e ansiedade, exemplificação encontrada na metáfora do loop de Sevcenko e da efemeridade de Lipovetsky, consome objetos variados descontextualizados.

Referencias:
SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001
LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero – A moda e seu destino nas sociedades modernas, São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
POLHEMUS, Ted. Style surfing: what to wear in the 3rd millennium. London:Thames and Hudson, 1996

A pin-up do terceiro milenio



Qual a semelhança entre Pettie Page é as dançarinas do Funk? Obviamente nenhuma. Mas a Revista Playboy desse mês divulga exatamente o contrário fazendo comparações esdrúxulas: “Nossa Mulher Melancia – com seus duplos MM, exatamente como Marilyn Moroe comprova a tese” (p.98, julho de 2009).
As pin-ups estão presentes também na Revista Elle (Julho de 2009), no entanto, a concepção é outra. Em uma matéria de 4 paginas, com explicações simplistas, podem auxiliar o jornalista e fotógrafos da playboy a não confundirem Funk com Rocka.

Consumismo versus Conhecimento


No último vestibular da Universidade Estadual de Maringá entre as questoes presentes estava essa charge da Folha de S Paulo. Por meio do humor há uma crítica ao consumo em detrimento ao conhecimento. O problema nao está em consumir, mas faze-lo de forma desmetida. A estilista e mae do punk ingles, Vivienne Westwood está liderando esse motivemto de consumo consciente com a campanha>> http://www.activeresistance.co.uk. Segundo Westwood: "Ler livros. Isso é o que traz elegância ao vestir. A roupa cai melhor nas pessoas empenhadas em ser inteligentes."

EU, ETIQUETA - Carlos Drummond de Andrade


Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Diploma de Jornalismo: jornalista de moda


No último dia 17 de junho foi estabelecido o fim do diploma de jornalismo. Todavia é clarividente a necessidade de um conhecimento teórico científico para exercer qualquer profissão, no jornalismo de moda não é diferente.
Antigamente, há exatamente algumas semanas atrás, quando era obrigatório ter cursado a faculdade de jornalismo para atuar na área era muito comum encontrar na imprensa especializada em moda o despreparo de alguns “profissionais”, de acordo com o autor Dario Caldas em seu livro Observatório de Sinais, “o jornalismo brasileiro especializado, via de regra, é pouco analítico e sofre das síndromes do colonizado e da coluna social”.
O que devemos esperar agora se não é mais preciso o mínimo de preparo para escrever sobre esse ou qualquer assunto? Infelizmente algo pior está por vir, mas meu lado esperançoso (esperança sentimento que não é para todos algo positivo) acredita no mesmo desejo do Observatório de Sinais: Que os textos adquiram conteúdo, que os críticos façam critica não somente elogios as mesmices pagas.

Ronaldo Fraga, sorry SPFW

Eu achei (achismo aff) que não iria comentar nada sobre o SPFW (27ª edição do São Paulo Fashion Week), mas esqueci que Ronaldo Fraga participa, logo, seria impossível ser tudo obvio. O que podemos esperar de um estilista que recita Carlos Drummond em suas palestras, quando os espectadores esperam pela novíssima forma de colar glitter aos jeans? Algo no mínimo diferente, algo realmente BOM e pensante.
Esse ano ele trouxe para a passarela o Tema: A Disneylândia onde pode se encontrar as caveiras e as flores de Frida Kahlo, com a literatura de Gabriel Garcia Marques ambientalizado com música latina, nada do que o senso comum poderia prever. O próprio Ronaldo define sua coleção, como vislumbra a verdadeira América Latina: "Meus olhos se derretem pelas festas mexicanas, pelo artesanato têxtil colombiano, pela emoção do cinema argentino, pelos confetes e serpentinas do carnaval de Olinda, pelas letras de Borges, Drummond, García Marquez, Cortázar… frentes de resistência cultural em um mundo movediço e sem fronteiras". Para definir o desfile e seu auto/estilista discordo do outro mineiro que diz que atualmente as mãos tecem apenas o rude trabalho e o coração está seco e concordo com o mesmo ao afirmar “garanto que uma flor nasceu”.

Um picnic jovem na Moda paranaense

Ocorreu em Curitiba, entre os dias De 25 a 29 de maio, o 3º PARANÁ BUSINESS COLLECTION
uma tentativa de evento de moda voltado para comerciantes de fastfashion. O que pode se conferir foi desfiles de coleções nada inovadoras, além da desorganização e desrespeito com os pesquisadores da Moda.
Todavia, o unico desfile que chamou atenção e se sobressaiu foi da Marca Picnicdelefante. A estilista , Isabella Seghese, trouxe uma cara jovem e corajosa. A Picnicdelefante encantou com suas roupas simples e doces trazendo frescor a um evento de "moda" já posta.

Humanamente Kitsch


A palavra Kitsch é um termo, de origem alemã, criada na decada de 60 pelo frankefurtiano Theodoro Adorno, que é usado para categorizar objetos de valor estético que são considerados inferiores e de mau gosto. Os objetos kitsch são geralmente pequenas miniaturas, que possuem caráter estético, baseiam-se em padrões estéticos de culturas e épocas, e são feitos para comercio da indústria cultural.
Kitsch está presente em todas as classes sociais funcionando como um elemento de nivelação social e histórico, pois é amplamente consumido por todos. Independente das diferentes possibilidades de status que o objeto kitsch possa suscitar agrupa se o kitsch em categorias: religioso (terços saturados de imagens, santinhos), sexual (canetas com mulheres nuas, fotografias, baralhos de mulheres nuas), exótico (paisagens havaianas, indianas de fundo geralmente mescladas), doce (jardins com sete anões, bailarinas em miniaturas, anjinhos), amargos (cobras de plásticos, esqueletos de plástico fluorescentes) políticos (insígnias de partidos em chaveiros, camisas e bonés de eleições) além de poder haver uma combinação de todas essas categorias.
De acordo com o sociólogo Jean Baudrillard, em seu livro A sociedade de consumo, o kitsch caracteriza se por ser objetos que, além de perder seu significado por estarem sendo comercializados fora de seu contexto, não se têm valor de uso. A reciclagem cultural caracteriza também o kitsch. O que era antigo é relançado como novo alimentando o ciclo vicioso de seguir a moda das tendências atuais mesmo que sejam velhas novidades.
Atualmente, o Kitsch sobrevive pela brecha criada pelo Industrialismo, através da chamada “embriaguês do consumo”: surgem vários objetos vendidos como utilidades, mas que são completamente inúteis (“gadgets” = objetos sem função ou com função além da que precisam ter), tais como secadores-de-unha, relógios e agendas eletrônicas de várias funções, as inúmeras “inutilidades” domésticas, etc. pelo seu amplo consumo atual, autor Milan Kundera, em seu livro A Insustentável Leveza, afirma: “nenhum de nós é sobre-humano a ponto de poder escapar completamente ao Kitsch. Por maior que seja o nosso desprezo por ele, o kistch faz parte da condição humana”.

Pornográfo: Terry Richardson




Terry Richardson é nova-iorquino e trabalha em fotografia desde finais dos anos 80, tendo criado inúmeros anúncios para vários designers de moda, como Gucci, Levi's, Hugo Boss, Anna Molinari, Baby Phat, Matsuda e Sisley. Richard conta com um vasto portfolio de fotos editoriais destinadas a revistas como Vogue, Vice , Harpers Bazaar, The Face, and Dazed & Confused. Os seus trabalhos visam ser bizarros e acima de tudo chocantes.

A maior parte contém elementos sexuais exacerbados que não são vistos normalmente nos meios de comunicação de massa. Seu estilo é marcado pelo não convencional, direto, com características de amador. Suas fotos tecnicamente são simples, o flash é usado diretamente no elemento principal, Richardson procura dessa forma mostrar atitude.

O fotografo é responsável, desde 1997, pelas imagens fotográficas da Sisley. Uma de suas excentricidades de Richardson é que ele participa como modelo em algumas fotografias, geralmente as mais polemicas. Na campanha de 2002, todos os modelos usaram máscaras com a estampa do rosto do fotografo

Ode a mediocre sociedade


No romance "Vermelho e o Negro," Stendhal caracteriza a sociedade vasta de muita ambição e de pouca coragem individual


Henry Beyle, ou Stendhal como assinava alguns de seus livros, acreditava que a verdadeira nobreza está no espírito e não no sangue azul dos avec-culottes. Para o autor ser culto, nobre, estava no modo de agir, nos pensamentos diários, que ultrapassavam os grandes salões de festas.Escrito em 1830, "O Vermelho e o Negro" é uma ácida crônica, que analisa psicologicamente, a decadente sociedade francesa do período da Restauração pós-napoleônica. O autor expõe as ambições mesquinhas da emergente sociedade de classes.

O jovem Julien Sorel, nascido numa cidade do interior da França, desde cedo sofreu com o preconceito do pai e irmãos por se interessar pelo gosto da leitura e do conhecimento. Julien, durante a infância estudou com o cirurgião-mor da cidade, depois contou com os ensinamentos do Cura, aprendendo latim e o Novo Testamento. Na adolescência, a convite do prefeito da cidade, Senhor Rênal, o jovem muda-se para ser preceptor dos dois filhos dele. Na casa do prefeito o jovem cria várias estratégias para conquistar a Senhora Renal, até o romance tornar-se um escândalo e se ver obrigado a deixar a cidade. Em Paris, Julien conhece a alta sociedade. Torna-se secretario do marquês, pai de Mathilde, por quem se apaixona. Na obra, "Vermelho e o Negro" Stendhal mostra o comportamento da capital e do interior. E a decepção da descoberta que a cultura é apenas superficial e status quo.

A sociedade que Julien vive é como o autor caracterizava sua época: de pouca determinação e muita ambição, muita conspiração e pouca coragem. Infelizmente o romance de Stendhal é perene na sociedade. Somente trocando alguns objetos, os personagens e o discurso, mesquinhos e superficiais podem ser encontrados ainda hoje.

Beatniks na estrada da contra-cultura


On The Road, obra de Jack Kerouac, até hoje ainda é a ideal para se levar na mochila pegar a estrada



Enquanto o American Way of Life (modo de vida americano) deslumbrava o mundo, alguns poucos "malucos" pegavam o caminho, a estrada inversa. O primeiro movimento americano contracultura foi o beat geração, preconizado por Jack kerouac. Os beatniks, como ficaram conhecidos, eram jovens que, desestimulados com o modo de vida urbano pós-guerra, regados de jazz, sexo, drogas e literatura, resolveram cair na estrada.
Pé na estrada (on the road), livro escrito em 1955 por Kerouac no melhor estilo beatnik: em um rolo de papel de teletipo, tornou-se a bíblia daquela uma geração. Mas a obra também inspirou ídolos jovens de diversas épocas desde Bob Dylan a Cazuza. Os beatniks são os pais dos hippies e avôs dos punks.
Em 2004, a editora L&PM contando com a tradução, introdução e posfácio de Eduardo Bueno, lançou o livro pela primeira vez no Brasil. A obra Pé na estrada (On The Road) conta a história de dois amigos que decidem cruzar os Estados Unidos pedindo carona, com pouco ou nenhum dinheiro.
O leitor mais atento poderá perceber que se trata das aventuras de Jack kerouac com seu amigo o poeta beat Allen Ginsberg. Lançado em pocket book (livro de bolso) é ideal para levar na mochila e pegar "a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada..." (pagina 305).

Modelagem Criativa: A Construção de novas estruturas



E, no entanto, não terá a roupa tão denegrida sua beleza e seu encanto nativos? Não será ela indispensável a nossa época, que sofre e carrega até em seus ombros negros e magros o símbolo de um perpétuo luto? Note-se bem que a casca e a sobrecasaca não têm apensa uma beleza política, expressão da igualdade universal, mas também uma beleza poética, que é a expressão da alma pública um imenso cortejo de papa-defuntos, papa-defuntos políticos, papa-defuntos apaixonados, papa-defuntos burgueses. Todos nos celebramos algum tipo de enterro. (BAUDELEIRE, p.25)


Dentro dos processos de construção de um produto de moda existem vários setores, dentre esses a modelagem é a técnica que desenvolve os moldes das peças, por meio da interpretação de um croqui, modelo, figurino em forma bidimensional ou tridimensional.

Conforme Patrícia Mello Souza, esse profissional é o responsável pela mediação entre a criação e a produção das peças. As técnicas de modelagem utilizadas no setor do vestuário atualmente são: modelagem plana industrial, modelagem gráfica e tridimensional.

Entre as preocupações estéticas o modelista está atento também as necessidades ergonômicas na concepção das roupas. De acordo com Grave, em A modelagem sob a ótica da ergonomia, essa responde atendendo a necessidade física e anatômica atingindo a qualidade ideal no vestir, respeitando o conforto e a funcionalidade.

A moulage ou draping, técnica de modelagem em três dimensões que permite desenvolver a forma diretamente sobre o corpo de um manequim, possibilitando vislumbrar modelos mais complexos, capazes de construir formas distintas ao corpo humano. A moulage induz e possibilita a inovação formal: o estudo da forma é continuamente desenvolvido pela ação escultórica sobre o suporte, que propicia não só a percepção do material têxtil como perfectiva de construção, mas também a apropriação dos elementos da linguagem tridimensional para configurar o espaço contido pelo corpo. (SOUZA, p. 342)Ainda conforme Souza, a moulage constitui-se numa tomada de partido sobre o corpo, podendo estabelecer vários discursos que transitam entre a aceitação, que molda as formas reais, e a negação que configuram novos corpos.

Na moda presente nas passarelas podemos perceber a configuração de formas de “negação”, um exemplo é conforme a Revista Vogue, de julho de 2008, nos desfiles de moda de Milão e Paris para inverno 2008-2009 Nicolas Ghesquiere para Balanciaga, Stefano Pilati para Yves St. Laurent e Raf simons para Jil Sander foram além das técnicas conhecidas por meio da moulage para mostrar uma arquitetura na roupa inovadora, ganhando formas mais dramáticas e estruturais.

As técnicas de construção de um corpo com formas e interferências díspares as linhas da forma humana, estão presente também na moda nacional. Nas coleções brasileiras outono-inverno 2009, Reinaldo Lourenço, Andre Lima, Cori e Iódice foram algumas marcas que desenharam riscos precisos, apostando em dobraduras ou efeitos tridimensionais, dando movimento e imponência à roupa. Segundo Lourenço, sobre o exercício de estilo no texto de apresentação de sua coleção, batizada Metrópole, no São Paulo Fashion Week, transcrito na revista L’Officiel Brasil, número 30 de 200, “é uma nova elegância, a base de simetrias e formas geométricas”.

A exposição Skin+Bones, que ocorreu em Londres em agosto de 2008, trouxe relação entre moda e arquitetura na interferência nas formas cotidiana. Skin+Bones traz vários exemplos das duas artes em justaposição explicitando assim suas semelhanças. A superfície prata e ondulada do prédio de Selfridges em Birmingham, por exemplo, projeto do escritório Future Systems, foi inspirado nas lantejoulas de Paco Rabanne. Já o vestido de Afterwords, do cipriota Hussein Chalayan, reproduz as linhas das pecas de mobiliário. (VOGUE, 2008 p.122)A amostra buscava demonstrar que o principal propósito de prédios e de roupas ultrapassa a função de abrigo, trazendo fruição, o que a revista Vogue Brasil definiu como “the wow factor”.


Trabalho apresentado a Universidade Estadual de Londrina como requisito integral para avaliação da disciplina de Modelagem e processo criativo, pós-graduação em Moda: Comunicação e Produto, pelas academicas: Bruna Vilas-boas e Flavia Bortolon

Referencias:

BAUDELEIRE, Charles. A modernidade de Baudelaire. apresentação de Teixeira Coelho; tradução, Suely Cassal. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

GRAVE, Maria de Fátima. A Modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004

SALTZMAN, Andrea. O design vivo. In: PIRES, Dorotéia Baduy (Org.). Design de Moda: olhares diversos. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008. p.305-318

SOUZA, Patrícia Mello. A moulage, a inovação formal e a nova arquitetura do corpo. In: PIRES, Dorotéia Baduy (Org.). Design de Moda: olhares diversos. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.p. 337-345

SOUZA, Patrícia de Mello. A modelagem tridimensional como implemento do processo do desenvolvimento do produto de moda. 2006. Dissertação (Mestrado em Desenho Industrial) – Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2006.Desenho e articulações acesso no site: http://fido.palermo.edu/servicios_dyc/encuentro2007/02_auspicios_publicaciones/actas_diseno/articulos_pdf/A131.pdf acesso em 26 de novembro de 2009.

LOPES, Ana Claudia. De mãos dadas. Vogue Brasil. São Paulo, n. 360, p 122, agosto de 2008.

ANDERSON, Joni. Mistura Fina. L’Officiel Brasil. São Paulo, n. 30, p.28-33, abril de 2009

PASCOLATO, Costanza. Sóbrio e sexy. Vogue Brasil. São Paulo, n. 359, p.81-85, julho de 2008